Impressionante como um cheiro pode nos remeter à tantas lembranças!
Com a perda de minha mãe há 1 semana, ir àq casa dela e entrar em seu quarto ou abrir o seu armario já me remete à ela.
Penso em cenas diversas... teve uma em que eu era bem criança, moravamos na casa em frente ao campo de São Bento. Ela me chamou para tomar banho e depois de eu dizer que "só ia lavar os pés", acabei tomando banho com ela e enquanto me enxugava, sentia aquele cheiro que era só dela.
Papai gostava de presentea-la com perfumes franceses. O que eu mais gostava era Magriff. Tinha um cheiro cítrico. E também tinha o Miguet de Bonheur e o Fleur de Rocaille, ambos da Caron. Ah.. e tinha o Cabochard também, que sempre o vidro era miúdo. Esses perfumes foram os primeiros que me recordo.
O perfume CK Be me dá nauseas. Minha irmã ia comigo na quimioterapia com esse perfume. Quando eu chegava em casa, podia contar as horas e começava o vomitório.
Me dá náuseas também ocheiro do sabonete Alma de Flores. Era o sabonete que eu usava quando engravidei pela primeira vez. Até hoje o cheiro me causa desconforto.
Ao longo de minha vida, os perfumes sempre estiveram presentes. Quando era criança me perfumavam com a lavanda Guri. Na adolescencia usava os perfumes da minha mãe.
Aos 20 anos eu conheci minha amiga Ingrid. Ela morava 6 meses aqui e 6 meses em New Jersey. Usava um perfume de Yves Saint Laurent: Rive Gauche. Era ( e ainda é) um cheiro forte que ficava o dia inteiro. Ingrid tinha um vidro grande dele, estava acabando. Mas ela já tinha um vidro novo. Aí me deu o perfumeque estava acabando. Foram 4 anos usando Rive Gauche.
Depois disso a novidade era o Paris, de Yves Saint Laurent. Era um odor adocicado, mas delicioso.
Passei por todos os Cavin Kleins, exceto Escape. Achava muito forte.
Depois... Giorgio, Knowing, Pleasures, Salvador Dali, Dune, Tresor, J'adore, Amor Amor, Happy e Versense.
Versense me lembra Paris e Londres. A viagem que prometi a mim mesma e que reuni forças para fazer dela um periodo de cura.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
8 de janeiro de 2010
Sempre anseio pela chegada da sexta-feira.Significa que não tenho que trabalhar, que posso acordar um pouco mais tarde, que posso ver TV, que posso enfim ouvir o canto dos pássaros, brincar com meu cachorro, me sentar na varanda e observar o vento soprando vagarosamente nas palmeiras... é bom morar aqui. É longe do meu trabalho, a casa tá precisando de reparos, me incomoda ve-la assim precisando de manutenção, mas me sinto tão segura aqui!
Essa casa tem tantas histórias para contar, foi palco de tantas situações...
Mas fico aqui, nos fins de semana, nos feriados... gosto de estar nessa casa.
Meu pai quis que eu ficasse aqui. Eu gostei da ideia dele.
Eu penso que daqui só sairei morta.
A morte sempre povoou os meus pensamentos. Sempre, desde criança. Uma coisa inexplicavel.
Mas antes eu tinha medo dela, agora não tenho mais. Já acho que deve ser bom, deve ser tranquilo, o descanso final.
Estamos em 2010, quantas coisas já vivi? Nem sei mais... muitas. Sempre com certo sofrimento, mas com muita sorte em vários momentos.
O ano começou com Trocas a fazer. Bem, vamos tentar mais uma vez. Eu estou apreensiva, mas preciso confiar nas palavras que me dizem. E acima de tudo, confiar no poder que eu tenho de modificar tudo ao meu redor.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
31 de Dezembro de 2009
O ano de 2009 termina hoje. Não está terminando do jeito que eu gostaria. Abri mão da minha familia para tomar conta daquela que me botou no mundo.Passamos o dia sozinhas, tentando administar as nossas conversas, todas partidas por falhas de memória e confusões mentais.
Me disseram que abrir mão da familia em prol de outrem é uma virtude. Bem, talvez eu seja muito mais do que eu imagino que seja. Talves eu devesse valorizar mais as minhas conquistas.
Pensando bem eu acho que valorizo pouco. Acho que é moleza , encaro as adversidades de frente. Posso até me abater no primeiro momento, mas acabo me levantando e seguindo o que precisa ser seguido. Se tem coisas para melhorar, vamos tentar.
O cansaço muitas vezes me abate. Mas aí eu procuro me ocupar com outras coisas que sejam prazerosas para mim. Não posso e não devo me ocupar de negatividades.
2009 me fez enxergar muitas coisa, ter certezas, mudar o meu modo de ver as coisas e as pessoas. Não ser tão crédula e ingênua, dizer mais nitidamente possivel o que minha intuição está me dizendo. Ainda não morri, se ainda tenho 1 fiapo de vida, preciso fazer desse fio um turbilhão de prazeres, não mais me submeter a nada que me prenda.
Abrão alas sobre mim , ó senhora Liberdade! Já dizia a musica! É isso que preciso fazer com todas as minhas forças que me restam.
Esse ano não cumpri meus rituais de final de ano, não fui à praia mergulhar, não levei flores e nem bijouterias para o mar. Fiquei presa dentro de um apartamento, com uma TV ligada e olhadas súbitas no meu Netbook. O que seria de mim sem meu Netbook nesse momento?
Um tédio infindável.
Eu quero o veneno anti-monotonia que Cazuza escreveu. A sorte sorrindo para mim, o trabalho bem reconhecido, dinheiro para as viagens curtas para locais distantes. Isso sim, é vida para mim.
Que 2010 me traga surpresas encantadoras e apaixonantes! Eu mereço tudo de bom!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Mediocridade saudável
Se todas as pessoas que trabalham com a doença mental ou com vara de familia, ficassem só falando de psicoses, neuroses, falando da filosofia de Nietszche, falando das leis, de justiça, conversando sobre a recessão, falando do presidente Lula, que vida elas teriam?
Seriam, provavelmente um porre de se conviver, não é mesmo?
Por isso levanto a bandeira da mediocridade que é falar de pessoas, ler revista "Contigo" e saber das "fofoquinhas" da TV. A cabeça precisa de coisas fúteis, sometimes, para amenizar a rotina do cidadão que trabalha feito um corno, que paga as contas da casa, que administra os filhos, que administra a propria doença e sabe-se lá o que mais ...
Discutir ideias é ótimo, mas não sempre. De vez em quando cai bem falar de pessoas. Das observações que fazemos delas quando estão bebadas, quando estão falando merda... é divertido falar "abobrinhas".
Observar pessoas e analisa-las é mais do que um hobby para mim. É uma coisa que nasceu comigo.
É um serviço prestado. É uma delicia interpretar as entrelinhas dos fatos.
Tenho deletado todos os e-mails que falam de política, de lula, de correntes religiosas... too bored!
Bom mesmo é estar fora da rotina, é viajar para fora do país, ter contato com outras culturas, com outras linguas, experimentar temperos novos, driblar a doença que somos nós.
O mundo dá voltas e tudo muda. Eu posso mudar amanhã. Só os objetos são estáveis.
Hoje eu estou com raiva, mas amanhã posso não estar.
Hoje eu sou engraçada, mas amanhã posso falar coisas previsíveis, ser óbvia.
Aliás, que chatas essas pessoas que são previsíveis!!!
Mas tem uma coisa, você me ama? Então demonstre isso hoje. Amanhã pode ser tarde demais.
Eu poderei não estar aqui e as homenagens devem ser feitas quando estamos vivos e não quando estamos mortos.
Vou nessa!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Nadar e morrer na Praia
É mais ou menos assim que senti o meu dia hoje.
Havia em mim uma ponta de esperança de que tudo poderia estar melhor. Mas , ledo engano... a coisa vem piorando em doses homeopáticas.
Eu venho pensando que as pessoas ruins sempre são mais saudáveis do que aquelas que são boas.
As boas são as que mais aguentam o tranco.
Eu me julgo boa. Muito boa. E a cruz tá me pesando os ombros, assim como pesou os ombros de Cristo. Não... eu não estou me comparando a Cristo. Mas veja, Cristo era ótimo e sofreu à vera!
Sofrer purifica a alma?
Eu devo estar precisando purificar a minha, então...
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
A dor de ainda estar viva
Não quero que esse post seja visto como uma coisa depressiva e suicida, não é isso.
Apenas quero dizer o quanto tem sido sofrido e doloroso viver como tenho vivido, sempre passando pelos efeitos colaterais, reações adversas...
A vida poderia ser mais interessante, mais bem vivida se não houvesse tantas questões desinteressantes a se viver.
Estou cansada, muito cansada...
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Os Flamboyants de São Francisco

Há dias venho observando, quando estou a caminho do trabalho, os Flamboyants floridos da avenida Presidente Roosevelt. São tão lindos e me trazem tantas lembranças...
Por exemplo, me lembro da Alameda Carolina, quando eu ia na casa de Tia Martha bater meus trabalhos de faculdade na máquina de escrever Remington dela. A letra era toda itálica, linda demais.
Papai ficava com ciúmes de eu ir para lá estudar e acabou me dando uma Remington portátil que não chegava aos pés da que eu usava na casa da minha tia. Mas, fui usando mesmo assim.
Lembro do caminho para Teresópolis também.
Quando comecei a estudar os testes psicológicos da faculdade, me lembro de mestre Amandio pedindo para fazermos o HTP (house, tree and person), um teste de personalidade em que temos que desenhar 1 casa, duas arvores diferentes, e duas pessoas de sexos diferentes. A minha árvore era o Flamboyant, todo florido. Depois eu fazia uma mangueira.
Pensei na possibilidade de plantar um arvore dessas aqui na minha casa. Será dificil?
Há poucos dias de começar o Verão, eu me pergunto: por que os Flamboyants não nos trazem mais frescor?
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